DNS explicado para donos de PME: A, MX, CNAME, TXT em linguagem humana
A primeira vez que partes o site é quase sempre a mexer no DNS. Mudas um registo "porque o programador disse", o email deixa de chegar, e fica tudo parado 24h enquanto reverte e propaga. O DNS não é difícil — é só pouco familiar. Em 15 minutos consegues passar de medo a competência básica.
Este guia explica os registos que existem, para que servem, e os 5 erros que partem domínios de PME em Portugal.
O que é o DNS, em duas frases
O DNS é a lista telefónica da internet. Tu escreves teusite.pt no navegador, e o DNS converte isso no IP do servidor onde o site vive (192.0.2.10). Sem DNS, terias de decorar números.
Quando registas um domínio (.pt na DNS.pt, .com num registrar internacional), recebes acesso a uma zona DNS — uma tabela onde defines como o teu domínio se comporta: onde está o site, para onde vai o email, e várias verificações de segurança.
Os 6 tipos de registo que vais encontrar
Registo A — aponta para o site
O mais comum. Diz "este nome corresponde a este IP".
teusite.pt A 203.0.113.10
www.teusite.pt A 203.0.113.10
Se o teu site mudar de alojamento, alteras o A. Se não houver A, o domínio "não tem site".
Registo AAAA — versão IPv6
Igual ao A mas para endereços IPv6 (2001:db8::1). A maioria dos provedores configura automaticamente. Não te preocupes a menos que estejas a apontar manualmente.
Registo CNAME — apelido para outro nome
"Este nome é o mesmo que aquele." Útil para subdomínios apontados a serviços externos.
blog.teusite.pt CNAME sitesfixe.vercel.app
loja.teusite.pt CNAME teusite.myshopify.com
Não podes ter CNAME na raiz do domínio (teusite.pt) — só em subdomínios. Em raiz usas A ou ALIAS/ANAME (alguns DNS suportam).
Registo MX — para onde vai o email
Diz "o email para @teusite.pt deve ir para este servidor".
teusite.pt MX 10 aspmx.l.google.com
teusite.pt MX 20 alt1.aspmx.l.google.com
O número (10, 20) é a prioridade — menor número, mais prioritário. Se uses Google Workspace, Microsoft 365, Zoho, ou outro provider, o painel deles dá-te os MX exatos a configurar. Sem MX, o email não funciona.
Registo TXT — informação livre
Texto associado ao domínio. Hoje em dia usado quase só para 3 coisas:
- Verificação de propriedade ("o Google precisa que provas que controlas este domínio").
- SPF — quem está autorizado a enviar email em nome do domínio.
- DKIM/DMARC — assinatura e política de email.
Registo NS — nameservers
Diz "a verdadeira zona DNS deste domínio vive nestes servidores". Configurado no registrar (DNS.pt, GoDaddy, Cloudflare). Mexer aqui sem entender é a forma mais rápida de partir tudo durante 48h.
Email profissional — a checklist SPF / DKIM / DMARC
Para email a partir do teu domínio chegar à inbox (e não ao spam), três TXT são quase obrigatórios em 2026. Gmail e Outlook rejeitam ativamente domínios sem isto.
SPF — quem pode enviar
teusite.pt TXT "v=spf1 include:_spf.google.com ~all"
Diz: "só os servidores do Google podem enviar email com @teusite.pt. Se vier de outro, marca suspeito (~all)". Tens 1 SPF por domínio, nunca dois (erro comum).
DKIM — assinatura criptográfica
O teu provider de email (Google, Microsoft, Resend) dá-te um TXT pré-formatado com uma chave pública. Adicionas, e os emails enviados ficam assinados — o destinatário pode verificar a assinatura.
DMARC — política e relatório
_dmarc.teusite.pt TXT "v=DMARC1; p=quarantine; rua=mailto:dmarc@teusite.pt"
Diz: "se o email falhar SPF ou DKIM, manda para spam (quarantine). E envia-me relatórios para dmarc@teusite.pt". Começa com p=none (só monitorizar), depois p=quarantine, depois p=reject quando tens confiança.
O guia de email profissional no domínio detalha como cada provider configura estes três. Fazer isto bem é o que separa "o email chega" de "o email vai para o spam de 30% dos clientes".
Separar email do site (o melhor padrão)
Erro comum: o mesmo provider faz alojamento web e email. Quando precisas de mudar o site, mudas o domínio inteiro, e o email vai com ele — perdes 24h de email e o pesadelo do "porque é que não recebes a fatura?" começa.
A boa prática:
- Domínio num registrar dedicado (DNS.pt, Cloudflare Registrar, Porkbun).
- DNS num provider rápido e independente (Cloudflare grátis, ou o do registrar).
- Site num alojamento (Vercel, SiteGround, Domínios.pt).
- Email num provider especializado (Google Workspace ~6€/mês, Microsoft 365, Zoho).
Cada um vive na sua casa. Mudas qualquer um sem afetar os outros.
Propagação DNS — porque é que demora
Quando alteras um registo, a mudança não é instantânea para o mundo todo. Cada servidor DNS na internet tem o teu registo em cache, com um tempo definido pelo TTL (Time To Live). TTL típico: 3.600 segundos (1 hora) a 86.400 (24 horas).
Regras práticas:
- Antes de uma mudança planeada, baixa o TTL para 300 (5 minutos) com 24h de antecedência. Os caches expiram, e a mudança vai propagar rápido.
- Depois de mudar e estabilizar, sobe TTL de volta para 3600 ou 86400 (reduz carga e custos).
- Para ver onde já propagou: dnschecker.org.
"Propagação demora 48h" é mito da indústria. Se planeaste TTL bem, propaga em 10 minutos. Se não planeaste, podes esperar até 48h.
Os 5 erros que partem domínios de PME
Resumo dos casos que tratamos com mais frequência:
- Mudar nameservers (NS) sem clonar a zona primeiro. Perdes registos MX, TXT, SPF, todos. Email para de chegar.
- Apagar o registo A da raiz pensando que é seguro. Site fica offline imediatamente.
- Adicionar segundo SPF. Erro silencioso — emails começam a falhar SPF gradualmente.
- Colocar CNAME na raiz (
teusite.pt CNAME ...). Inválido por RFC. Quebra resolução para alguns clientes. - TTL alto + mudança sem aviso. Site/email parte para metade dos utilizadores até cache expirar.
Cada um destes resolve-se em minutos se sabes o que aconteceu. Se não sabes, viras 6 horas a debugar no escuro.
Cloudflare grátis à frente do DNS
A Cloudflare oferece DNS gratuito com vantagens reais para PME:
- Propagação rápida — alterações em segundos, não horas.
- Proxy opcional (a nuvem laranja) — esconde o IP do servidor, adiciona DDoS protection e CDN básico.
- Analytics de DNS — vês quem está a consultar o teu domínio.
- DNSSEC com um clique — protege contra envenenamento de DNS.
Único caveat: a Cloudflare não opera como registrar para .pt. Mantens o registo na DNS.pt (ou revendedor) e apontas os NS para a Cloudflare. O domínio é teu na DNS.pt; o DNS gere-se em Cloudflare.
Para .com, .net, .eu, podes ter tudo na Cloudflare (registrar + DNS) ao preço de custo. Para PME que tenha ambos, dois painéis separados é o padrão real.
DNSSEC — vale a pena
DNSSEC adiciona assinatura criptográfica aos registos DNS. Garante ao navegador que a resposta DNS vem mesmo do dono do domínio, não de um atacante que envenenou um resolver.
Em 2026, a maioria das PMEs não tem DNSSEC ativo. O custo é zero (Cloudflare ativa com 1 clique, DNS.pt suporta). O risco sem isso é baixo mas crescente. Para sites institucionais simples, nice-to-have. Para lojas online ou sites com login, recomendado.
Quando precisas de mexer no DNS sozinho
Resposta honesta: quase nunca. O DNS bem configurado fica anos sem ser tocado. Os momentos em que vais mexer:
- Mudar de alojamento — atualizar registo A. Se planeares (ver mudar alojamento sem downtime), é tranquilo.
- Mudar de provider de email — atualizar MX + SPF + DKIM.
- Adicionar subdomínio (
loja.teusite.pt→ Shopify,blog.teusite.pt→ Webflow). - Verificar Google Search Console, Meta, etc. — adicionar TXT temporário.
Se a tua agência sabe o que faz, configura tudo no primeiro setup e não tens de tocar mais. Se cada mudança parte algo, é sinal que o setup inicial foi rápido demais.
DNS.pt vs registrars internacionais
Para domínios .pt, o registro central é a DNS.pt. Podes registar diretamente ou através de revendedores. Diferenças relevantes:
- DNS.pt direto: ~20€/ano, interface técnica, suporte português.
- Revendedores PT (Domínios.pt, PTisp, AMEN): preços similares, interfaces variáveis.
- Cloudflare Registrar: não suporta
.pt. Só.com,.net, etc. - GoDaddy / Namecheap: suportam
.ptvia revenda, mas processo de transferência é mais lento.
A escolha entre .pt, .com ou .eu tem outras dimensões além de DNS.
Em resumo
O DNS é uma tabela com 4-6 tipos de registo que dizem onde vive o site (A), para onde vai o email (MX), quem pode enviar email em teu nome (TXT/SPF/DKIM/DMARC), e como subdomínios redirecionam (CNAME). A maior parte dos erros vem de mexer sem entender — apagar A da raiz, duplicar SPF, mudar NS sem clonar zona. Se separares domínio, DNS, site e email em provedores diferentes, ganhas resiliência (e podes mudar qualquer um sem partir tudo). Para mudanças planeadas, baixa TTL antes — propagação em horas, não 48h. Para PME portuguesa típica, mexes no DNS uma vez por ano, e idealmente para adicionar algo, não corrigir.
No sitesfixe.pt configuramos DNS, email profissional e SPF/DKIM/DMARC no setup do site — sem deixar a PME sozinha a debater registos com o provider. Se queres entregar o site com domínio e email a funcionar à primeira, fala connosco. Sites desde 1.500€.
Lê também:
- Como registar domínio em Portugal
- Domínio .pt, .com ou .eu: qual escolher
- Email profissional no domínio: setup completo
Fontes
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