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Landing page de co-marketing: regras, créditos e RGPD numa parceria

A landing page partilhada entre duas marcas é o ponto onde o co-marketing rebenta — ou descola. Rebenta quando ninguém definiu de quem é o lead, qual o logo principal, ou que política de privacidade se aplica. Descola quando essas três perguntas têm resposta antes de o primeiro pixel ser desenhado.

A boa notícia: este tipo de landing tem taxa de conversão tipicamente 20% a 35% acima de uma landing isolada, porque combina duas bases de credibilidade. A má: se a estrutura legal e operacional não está alinhada, a parceria morre na primeira leva de leads. Este guia mostra o que combinar antes, durante e depois.

Quando faz (e não faz) sentido uma landing partilhada

Sinais verdes:

  • Os públicos das duas marcas complementam-se sem competir (ex: estúdio fotográfico + agência de eventos).
  • Há um ativo conjunto real — workshop, ebook, ferramenta, evento.
  • Ambos têm uma base de contactos ativa (newsletter, redes, clientes) para promover.
  • Conseguem alinhar uma data para lançar e uma para terminar.

Sinais vermelhos:

  • Um parceiro tem 10× mais audiência que o outro — o pequeno vira veículo de aquisição barato do grande.
  • O ativo é só um logo trocado num PDF antigo.
  • Os ciclos de aprovação interna são incompatíveis (um decide hoje, o outro precisa de 3 semanas).
  • Não há entendimento sobre quem fica com os leads.

Se houver qualquer vermelho, vale mais uma parceria mais leve (cross-promotion sem landing partilhada).

O briefing conjunto — 9 perguntas obrigatórias

Antes de qualquer wireframe, ambas as partes respondem por escrito a estas perguntas. Sem isto, a landing acaba a refletir só uma cabeça.

  1. Qual é a oferta exata? Ebook gratuito, webinar, desconto, audit, evento, ferramenta.
  2. Para quem? Persona específica (cargo, dimensão de empresa, indústria).
  3. Qual é a promessa numérica? "Reduz X em Y%", "ganha Z horas/semana".
  4. Que dados pedimos no formulário? Mínimo viável. Cada campo extra a mais corta 5-10% da conversão.
  5. De quem é o domínio da landing? Domínio neutro novo, subdomínio de um, ou domínio de um com co-brand visível?
  6. Como dividimos os leads? 50/50 round-robin, ambos recebem todos, ou um recebe tudo e re-encaminha?
  7. Qual o limite de uso dos contactos? Só para a campanha, ou entram na newsletter geral?
  8. Quem responde a perguntas? Email partilhado, ou cada um responde aos "seus"?
  9. Quando termina? Data fim + o que acontece à landing depois (redireciona, mantém-se, vira "obrigado").

Documenta isto num único ficheiro partilhado. Sem documento, sem campanha.

Atribuição de leads — os 3 modelos justos

Esta é a discussão difícil. Modelos que funcionam:

Modelo A — Round-robin alternado

Lead 1 vai para parceiro A, lead 2 para B, lead 3 para A. Simples, justo em volume. Implementação: um Zap/Make alternando destino.

Quando usar: parceria entre iguais com capacidade comercial semelhante.

Modelo B — Ambos recebem todos os leads

Cada parceiro decide o que fazer com cada lead. Risco de o lead ser contactado duas vezes nas primeiras 24h e ficar irritado.

Quando usar: públicos suficientemente diferentes para que cada parceiro saiba a quem deve ligar (ex.: parceiro A só fala com restauração, B só com retalho).

Modelo C — Origem manda

Lead que vem da newsletter do parceiro A → A. Vem da newsletter de B → B. Vem de tráfego pago partilhado → divisão pré-acordada.

Quando usar: ambos investem dinheiro e querem retorno proporcional ao esforço.

Em qualquer modelo, a divisão tem de estar escrita e o pipeline de envio testado antes do lançamento.

RGPD: as três camadas que ninguém pode saltar

Aqui é onde a CNPD pode interromper o sono.

Camada 1: Base legal para o tratamento

Numa landing de captura, o consentimento é a base legal. Tem de ser explícito, granular e separado.

  • Uma checkbox para receber o ebook. Não pré-marcada.
  • Uma checkbox separada para subscrever newsletter do parceiro A.
  • Outra checkbox separada para subscrever newsletter do parceiro B.

Agrupar tudo numa só ("aceito receber comunicações") é violação. A CNPD já multou empresas por isto.

Camada 2: Responsáveis pelo tratamento

Duas marcas a recolher dados conjuntamente são co-responsáveis pelo tratamento (art. 26 do RGPD). Implica:

  • Acordo escrito entre ambas, definindo quem responde a pedidos de acesso, retificação, oposição.
  • Os dois nomes claros na política de privacidade da landing.
  • Email único de contacto para o titular dos dados.

Modelo de cláusula a copiar para o acordo:

"As partes atuam como responsáveis conjuntos pelo tratamento, nos termos do art. 26 do RGPD. Cada parte é responsável por responder a pedidos de exercício de direitos relativos aos contactos que efetivamente trata, em até 30 dias."

Camada 3: Política de privacidade específica

A política linkada no rodapé da landing não pode ser a de uma só marca. Tem de:

  • Identificar ambos os responsáveis (nome, NIF, morada, contacto).
  • Listar as finalidades concretas do tratamento.
  • Indicar prazos de conservação distintos se diferirem.
  • Dar instruções para retirar consentimento a cada um separadamente.

Se a landing reusa a política de privacidade individual de um dos parceiros, está em violação. Vê conformidade RGPD do site para o resto da estrutura.

Os 6 elementos visuais que sustentam o co-brand

A landing tem de parecer das duas marcas sem virar Frankenstein.

  1. Logos lado a lado no topo, mesma altura, separados por "×" ou "+". Nunca um maior.
  2. Paleta de cores comum — escolher 1 cor primária por marca + 1 cor neutra partilhada para o resto.
  3. Tipografia única (a da marca dominante visualmente, ou uma neutra como Inter).
  4. CTA com cor neutra — não com a cor de um dos dois. Caso contrário parece campanha de um deles.
  5. Prova social cruzada — citação de cliente do A + citação de cliente do B, ambos identificados.
  6. Rodapé com ambos os nomes legais + NIFs + links para política de privacidade conjunta + para livro de reclamações.

Anti-padrão clássico: landing com logo do A em cima, copy escrita pelo A, formulário a entregar leads ao A, e logo do B perdido no rodapé. Isto é landing do A com sponsor, não co-marketing.

Estrutura recomendada da página

Ordem testada que funciona para PME em PT:

  1. Hero — promessa conjunta + ambos os logos + 1 botão CTA.
  2. O que vais receber — bullets concretos (3-5).
  3. Para quem é — descrição da persona, 1 parágrafo curto.
  4. Apresentação dos parceiros — 2 blocos lado a lado, ~60 palavras cada, link para sites.
  5. Prova social conjunta — 2-3 citações + métrica concreta se existir.
  6. Formulário — 3 a 4 campos máximo + checkboxes RGPD.
  7. Rodapé legal — política de privacidade conjunta + termos.

Comprimento total: ~1 a 1,5 ecrãs no telemóvel. Mais que isso e a conversão cai.

Exemplos PT realistas (sem inventar prova social)

Cenário típico que faz sentido em Portugal:

  • Estúdio de fotografia de produto + plataforma e-commerce → ebook "Como fotografar o teu catálogo numa tarde". Lead share 50/50.
  • Contabilista + plataforma de faturação certificada AT → checklist "Fechar o ano fiscal sem stress". Leads do contabilista vão para contabilista, leads pedindo software vão para plataforma.
  • Agência de tráfego + agência criativa → audit gratuito "Anúncio bonito que não vende". Round-robin, ambos contactam.
  • Designer web + copywriter → workshop online "Site que escreve sozinho". Ambos recebem todos os leads, sem newsletter cruzada.

Em todos: domínio neutro ou subdomínio de um com co-brand explícito, política conjunta, atribuição decidida antes.

Pós-lançamento: o que mais falha

A landing pode estar a converter. A parceria ainda pode rebentar. Sinais que tens de monitorizar nas primeiras 4 semanas:

  • Latência de resposta: parceiro A liga em 2h, parceiro B em 5 dias. O nome do B fica queimado nos leads do A.
  • Discurso inconsistente: A vende o ebook como "introdutório", B vende como "avançado". Lead fica confuso.
  • Newsletter cruzada não combinada: B começa a enviar promoções para os leads originais de A. A vai chatear-se.
  • Atribuição quebrada: UTMs mal montados, ninguém sabe quem trouxe que lead.

Marca uma reunião de revisão na semana 2 e outra na semana 4. Decide se prolongam, fecham ou repetem com ajustes.

A regra que junta tudo

Uma landing de co-marketing é, antes de tudo, um contrato visualizado. Cada elemento — logo, formulário, política, fluxo de leads — é uma cláusula desse contrato. Se ambos os parceiros conseguem olhar para a página e dizer "esta cláusula é justa para mim", a parceria vai funcionar. Se um dos dois hesita, ajusta antes de gastar um euro em tráfego.

A parte fácil é construir a página. A parte que distingue boas parcerias de más é o trabalho que se faz antes dela existir.


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