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Imagens para o site: bancos gratuitos, pagos e direitos de autor em PT

Quase ninguém pensa em "direitos de autor" enquanto arrasta uma imagem do Google para o site. Pensa quando recebe a primeira carta de um fotógrafo (ou de uma agência que representa imagens) a exigir 600€-3.000€ por uso indevido. Em Portugal, este tipo de notificação é mais frequente do que parece, bibliotecas como Getty Images têm sistemas automatizados que rastreiam imagens da sua coleção em qualquer site público.

Este guia mostra de onde podes mesmo tirar imagens, o que cada licença permite, quando vale a pena pagar, e como a IA generativa muda (e não muda) este jogo em 2026.

A regra base: nem tudo o que está no Google é livre

A maior fonte de problemas é supor que "se aparece no Google Imagens, é livre". Não é. A maior parte do que ali aparece tem direitos. O Google só está a indexar onde estão.

A regra honesta:

  • Cada imagem tem dono. Quem fotografou ou desenhou tem direitos de autor automáticos, sem registo, ao abrigo do Código do Direito de Autor e Direitos Conexos.
  • Cada uso precisa de licença. Pode ser comprada, oferecida (Creative Commons), ou pré-paga (banco como Unsplash).
  • Sem licença = uso indevido. Mesmo que cites o autor. Mesmo que seja "só num post de blog".

Coimas e indemnizações reais em Portugal: cartas de Getty/Alamy começam em 600€-1.500€ por imagem, e processos judiciais podem escalar para vários milhares por uso comercial extenso.

Bancos gratuitos: Unsplash, Pexels e Pixabay

Os três bancos gratuitos com maior catálogo e cobertura em 2026:

BancoLicençaAtribuição obrigatória?Uso comercial
UnsplashUnsplash LicenseNão (recomendada)Sim
PexelsPexels LicenseNão (recomendada)Sim
PixabayPixabay Content LicenseNão (recomendada)Sim

Pontos importantes destas licenças:

  • Permitido: uso comercial e não comercial, incluindo modificação.
  • Proibido: vender as imagens em si, ou usar para concorrer com o próprio banco.
  • Atenção a marcas e pessoas: uma foto de Unsplash com um logo de marca visível, ou com uma pessoa identificável sem model release, não está livre para uso publicitário. A licença do banco cobre os direitos do fotógrafo, não os direitos de marca de terceiros nem os de imagem das pessoas fotografadas.

Atribuição: não obrigatória, mas é sempre boa prática creditar, bem para a comunidade de fotógrafos e bem para o teu E-E-A-T se for fotografia editorial.

O problema dos bancos gratuitos: a homogeneidade

A maior desvantagem do Unsplash/Pexels não é legal, é estética. As mesmas 20 fotos de "equipa diversa a olhar para um portátil em open-space" aparecem em 5.000 sites de PME PT. O olho treinado nota. O cliente do site nota.

Quando vale a pena pagar:

  • Fotografia de equipa real, não substituível por stock.
  • Fotografia de produto, quando vendes produto físico.
  • Fotografia editorial específica que vendes a sério (clínica, restaurante, hotel).
  • Imagens para campanha paga, querer que a tua foto não apareça igual no anúncio do concorrente.

Bancos pagos: Shutterstock, iStock, Adobe Stock

Os três grandes em 2026:

BancoPreço típico em PT 2026Notas
ShutterstockPlano de 10 imagens/mês: ~50€/mês. Avulso: ~10€-30€/imagemCatálogo gigante. Bom para conceito amplo.
iStock / GettyAvulso ~12€-50€/imagem. Subscrição: ~40€/mêsAcesso ao Getty Premium é separado e caro.
Adobe StockSubscrição 10 imagens/mês ~30€-40€. Avulso ~10€/imagemIntegrado com Photoshop e Illustrator.

Verifica sempre se a licença que estás a comprar é:

  • Standard, usos web e impressão até 500.000 cópias. Cobre quase todos os casos de PME.
  • Enhanced / Extended, necessária para revenda, produtos físicos com imagem, ou impressões muito grandes.
  • Editorial, pessoas reais, marcas, eventos. Não pode ser usada para publicidade. Só para reportagem/contexto editorial.

A confusão mais frequente: comprar licença "editorial" e usar num banner promocional. Tecnicamente é violação contratual e pode gerar reclamação.

Creative Commons: ainda existe e ainda é útil

Para conteúdo educativo, ilustração, conteúdo de blog, Creative Commons continua a ser fonte boa. Cuidado com as variantes:

LicençaPermite uso comercial?Permite modificar?
CC BYSimSim
CC BY-SASimSim (mas a versão modificada herda CC BY-SA)
CC BY-NCNão (uso não comercial)Sim
CC BY-NDSimNão (sem derivações)
CC0 (domínio público)SimSim, sem restrições

Para um site comercial de PME, CC BY e CC0 são as duas seguras. As outras requerem cuidado.

Onde encontrar:

  • Wikimedia Commons (CC0, CC BY).
  • Flickr (filtra por licença).
  • Smithsonian Open Access (CC0).
  • Bibliotecas e arquivos públicos europeus via Europeana.

IA generativa: imagens "novas" em 2026

Midjourney, DALL-E, Stable Diffusion, Flux. Em 2026, gerar imagens é trivial. Os pontos legais e práticos:

  • Direitos de autor da imagem IA, em PT/UE, imagens exclusivamente geradas por IA, sem intervenção criativa humana significativa, têm proteção limitada ou nula. Isto significa que outros também podem usar uma imagem igual ou muito similar.
  • Marcas e pessoas reais, pedir "Ronaldo no escritório" para um banner é violação de direitos de imagem. IA não dá licença.
  • Dados de treino, há litígios em curso (Getty vs Stability AI, etc.). Em 2026, o risco é gerido contratualmente pelas plataformas (Adobe Firefly, por exemplo, treina apenas em dados licenciados, limita litígio).
  • Termos da plataforma, cada uma tem termos. Adobe Firefly e ChatGPT (DALL-E) autorizam uso comercial; Midjourney autoriza para subscritores pagos.

Quando IA brilha:

  • Imagens conceituais para blog (ilustrar artigo sobre "marketing digital").
  • Hero images abstratas que não precisam de fotorrealismo.
  • Ilustrações de processo, infografias simples.

Quando IA falha:

  • Imagens com pessoas que precisam de parecer reais.
  • Texto dentro da imagem (continua um problema em vários modelos).
  • Fidelidade a marca (logo do cliente, produto específico).

Imagens de pessoas: model release e RGPD

Foto com uma pessoa identificável levanta dois problemas em PT:

  1. Direitos de imagem (Código Civil PT), a pessoa tem direito sobre a sua imagem. Sem autorização escrita (model release), uso publicitário é violação.
  2. RGPD, uma fotografia de pessoa identificável é dado pessoal. Tratamento exige base legal: consentimento expresso para uso publicitário, ou interesse legítimo para contextos editoriais.

Para o site da empresa, isto traduz-se em:

  • Equipa interna: consentimento escrito para uso da foto no site, no LinkedIn, em materiais comerciais.
  • Clientes em casos de estudo: consentimento escrito para uso da foto + nome + caso.
  • Eventos com fotos publicadas: aviso visível à entrada + opt-out claro.

A política de privacidade do site deve referir o tratamento de imagens de pessoas (equipa, clientes, eventos) com base legal explícita.

Imagens de produtos e marcas de terceiros

Caso típico: revendes Apple. Podes usar fotos do iPhone no teu site?

  • Imagens oficiais (do site da Apple), geralmente apenas com autorização ou no âmbito de programa de revendedor autorizado.
  • Fotos tuas do produto, sim, podes fotografar produto que tens. Não podes alterar o produto na foto para criar impressão errada.
  • Logo da marca, uso para identificar produto vendido é geralmente OK (uso descritivo). Uso a sugerir endosso ("Apple recomenda") é violação.

Quando há dúvida, pergunta à marca. Em B2B, marcas grandes têm portais de imprensa com kit oficial.

Otimização: imagem bonita mas pesada arruina o SEO

Imagem comprada ou IA-gerada vem tipicamente em PNG ou JPEG sem otimização, 2-8 MB por imagem. Site fica lento. Ver otimizar imagens para velocidade para o detalhe técnico.

Resumo rápido:

  • Converter para WebP ou AVIF (40%-70% menos peso).
  • Dimensionar para o tamanho real de display (não servir 4000px para um thumbnail de 300px).
  • <img> com atributos width, height e loading="lazy".
  • alt descritivo (acessibilidade + ver SEO para imagens).

Onde guardar e organizar

Para uma PME normal:

  • Pasta na cloud (Google Drive, Dropbox) por projeto / tipo.
  • Manifesto de licenças num documento simples, qual imagem, de onde, licença, data, link da licença. Esta página salva-te se um dia precisares de provar uso legítimo.
  • Não enviar imagens originais grandes para o site, guarda os originais na cloud, sobe versões otimizadas.

A regra que junta tudo

Para uma PME portuguesa em 2026, o caminho saudável é: fotografia própria onde és identidade (equipa, espaço, produto) + Unsplash/Pexels para conceito amplo + Adobe Stock / Shutterstock quando o uso é crítico ou em campanha paga + IA generativa para ilustração editorial. Para todas, um manifesto de licenças num PDF e nunca usar imagens do Google sem perceber a origem. O custo de prevenção é uma tarde. O custo de uma carta de Getty é um mês de faturação.


No sitesfixe.pt construímos sites em Portugal com pipeline de imagens otimizadas (WebP, lazy-load, dimensões corretas) e manifesto de licenças por projeto, ficas com o site rápido e com prova de origem. Se queres deixar de te preocupar com Getty a bater à porta, fala connosco. Sites desde 1.500€.

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