Marketing digital

Marketing de eventos: feiras e workshops alimentados pelo site

Quase ninguém perde dinheiro a fazer um evento porque o evento foi mau. Perde porque a feira encheu, ficaram 80 cartões na caixa e nas duas semanas seguintes ninguém ligou a ninguém. A diferença entre um workshop que paga o ano e um que dá empate está quase toda fora do dia do evento — está na página onde o site captura, na lista que recebe os contactos e na sequência que sai a seguir.

Este guia mostra como ligar o site à máquina de eventos: o que tem de existir antes, o que se mede no dia, e o que acontece nas duas semanas a seguir.

A página de evento faz metade do trabalho

Um cartaz vive duas semanas. A página vive seis meses no Google. Para uma feira, workshop ou jornada técnica, a página dedicada é o ativo, não o folheto.

O mínimo que tem de ter:

  • Headline com nome do evento, data e local — sem rodeios.
  • Para quem é em 3 bullets ("para gestores de PME que…").
  • Programa com horas e oradores (ou painel "a anunciar" datado).
  • Botão de inscrição acima da dobra e repetido no fim.
  • Local com mapa (Google Maps embed) e como chegar.
  • Schema.org Event no JSON-LD — entra nos resultados de pesquisa com data e local visíveis. Ver especificação oficial do Google.

A página de evento é uma landing page de lançamento com função extra: tem de funcionar antes, durante e depois do evento. Antes, vende; durante, é a "ementa" que se mostra no telemóvel; depois, vira página de "edição passada" com vídeo, fotos e lista de espera para a próxima.

Captura presencial: o lead começa antes do café

Num stand ou auditório, a janela para capturar um contacto é curta. Quem volta para casa com um cartão na carteira já esqueceu o teu nome.

Mecanismos que funcionam:

  1. QR code grande atrás do stand, a apontar para a página com formulário curto (nome, email, empresa).
  2. iPad/tablet em modo quiosque com o mesmo formulário — alguém preenche enquanto o colega fala.
  3. Sorteio com troca clara (uma sessão gratuita, um livro, um voucher). O incentivo tem de ser concreto, não "um vale surpresa".
  4. Scanner de crachá quando a organização da feira o oferece — exporta CSV, depois importas.
  5. WhatsApp Business com mensagem-tipo pré-feita: "Olá, sou da [empresa], conheci-te na feira X. Junto o material que te prometi."

Em todos os casos, opt-in claro. RGPD continua a aplicar-se debaixo de toldo de feira. As orientações da CNPD sobre consentimento são as mesmas online e offline: livre, específico, informado, demonstrável.

Integração com CRM: do papel ao funil em horas, não semanas

Cartões na gaveta morrem. Folhas de Excel atualizadas "depois" também.

A regra simples:

  • Mesmo dia. Todos os contactos do dia entram no CRM antes de sair do recinto. Foto do cartão ou export do tablet, importação direta.
  • Tag de origem. "Feira X 2026", "Workshop maio". Sem tag, não se mede ROI.
  • Estado inicial. "Lead frio" ou "marcou demo" — não misturar.
  • Responsável atribuído. Um nome por lead. Sem nome, ninguém liga.

Ferramentas que servem PME portuguesas sem complicar: HubSpot Free, Pipedrive, Brevo, ou um Airtable bem montado. O sistema não importa. A disciplina importa.

Se já tens um funil de vendas integrado com o site, o evento é só mais uma fonte de tráfego — a página captura, o CRM categoriza, a sequência arranca. Sem esse encanamento, todos os eventos começam do zero.

Follow-up: a regra das 48h e da semana 2

A maior parte do retorno de um evento sai nas duas semanas seguintes. Quem espera mais, perde.

Sequência mínima:

QuandoO quê
Mesmo dia (noite)Email "obrigado por teres passado", com o material prometido em anexo ou link.
Dia +2Email com 1 caso real ou 1 recurso útil ligado ao tema do evento.
Dia +5Email de proposta concreta — sessão de 20 min, demo, orçamento. CTA único.
Dia +12Última mensagem. "Se não faz sentido agora, tudo bem — fico por aqui." Tira pressão e separa quem está vivo de quem não está.

Para construir esta sequência, automação de marketing num Brevo, ActiveCampaign ou Mailchimp resolve. Não precisas de Marketo. Precisas de 4 emails escritos com tempo, ligados à tag certa.

Eventos próprios: workshop, open day, formação

Quando és tu a fazer o evento (em vez de ires a uma feira), o site torna-se a máquina inteira.

Estrutura típica para um workshop pago de 49€-149€:

  • Página de evento com data, programa e botão de pagamento.
  • Pagamento por MB Way / Multibanco / cartão (ifthenpay, Easypay) — sem este passo, a inscrição morre no formulário.
  • Fatura emitida por software certificado pela AT (InvoiceXpress, Moloni).
  • Email automático com confirmação, morada, link Google Maps e lembrete 24h antes.
  • Pós-evento: gravação enviada, certificado de presença em PDF, pedido de testemunho.

A página fica online para a edição seguinte. Em três edições, a página de "workshop X" indexa para "workshop [tema] portugal" e começa a trazer inscritos sem custo de tráfego — um ROI silencioso que poucas empresas medem.

Eventos B2B: feiras setoriais e o jogo lento

Numa feira B2B (imobiliário, indústria, saúde) o lead raramente fecha em 14 dias. Pode fechar em 6 meses.

Aqui o site faz outra coisa:

  • Página de "vê o nosso trabalho" simples, sem formulário pesado, para mandar a quem passou no stand.
  • Caso ou portefólio recente que demonstra capacidade técnica concreta.
  • LinkedIn da pessoa que esteve no stand visível — quem conheceu uma pessoa, conecta com a pessoa, não com a empresa.
  • Newsletter mensal alimentada pela lista do evento — manter-se na cabeça durante 6 meses sem ser chato. Ver como construir lista de emails.

A maior parte dos leads de feira B2B aquece com 6-12 toques. Sem newsletter ou conteúdo regular, esses leads esfriam e a feira desaparece como custo no ano seguinte.

Métricas: o que medir para repetir (ou cortar)

A única razão para participar em eventos é decidir, no fim, se vale repetir. Sem métricas, decide-se por sensação — e a sensação engana.

Tabela mínima para fechar o evento:

MétricaO que dizer
Leads capturadosTotal + por canal (QR, tablet, conversa)
Custo totalStand + viagem + brindes + horas internas
Custo por lead (CPL)Custo / leads
Reuniões marcadas em 30 diasSinal de qualidade dos leads
Propostas enviadas em 60 diasTradução comercial real
Negócios fechados em 6 mesesA única métrica que importa no fim

Um evento com CPL de 25€ e 0 negócios em 6 meses é caro. Um evento com CPL de 200€ e 3 contratos é barato. Sem este cálculo, ficas a comprar stands por inércia.

Para perceber o orçamento de média na equação completa, quanto investir em anúncios dá referência: eventos competem com Google Ads e LinkedIn pelo mesmo bolso.

Promover o evento antes do dia: 6 semanas, 3 canais

Página feita, não chega. Tem de chegar tráfego à página, e tráfego não vem por acaso para evento de PME — vem porque se o empurrou em pelo menos 3 canais durante 4-6 semanas antes.

Calendário típico para um workshop pago de 60 lugares:

Semana antesAção
-6Anúncio na lista de email atual. Primeiros 20-30% das vagas saem aqui (early-bird).
-5 a -4Publicações orgânicas (LinkedIn, Instagram) + 1 post de blog ligado ao tema.
-4 a -3Anúncios pagos (Meta Ads + Google Ads "brand + tema") com retargeting da página.
-3 a -2Convite a parceiros para divulgar (escola, associação setorial, câmara local).
-2 a -1Email "últimas vagas" para a lista. Posts orgânicos de testemunhos da edição anterior, se houver.
-1 a 0Lembrete diário para inscritos. Vídeo curto da preparação.

Erro típico: anunciar o evento 10 dias antes e culpar o "tema" pela sala vazia. Para uma PME pequena, 6 semanas é o mínimo para encher um evento pago decente.

Erros típicos que matam o ROI

Lista curta dos enganos mais comuns em PME PT que organizam ou participam em eventos:

  1. Sem página de evento — só publicação no Instagram. O lead que pesquisa no Google fica sem encontrar.
  2. Formulário com 10 campos no stand — ninguém preenche. 3 campos chega.
  3. Sem opt-in claro RGPD — leads "tóxicos" que geram queixa em vez de venda.
  4. Follow-up em 2 semanas, não em 48h — leads frios. Conversão cai 70%+.
  5. Sem tag de origem no CRM — impossível medir ROI 6 meses depois.
  6. Pagar brindes caros (canecas, polos) em vez de investir em página e automação. Brindes lembram-se 2 dias; máquina de follow-up converte 6 meses.
  7. Esperar leads "qualificados" sem trabalhar a lista — feira gera curiosidade, não decisões. Trabalho de aquecimento começa no dia +2.

A regra que junta tudo

Eventos não falham por causa do evento. Falham por causa do que está antes (página) e depois (sequência). Investe metade do tempo de preparação na página dedicada, no fluxo de captura e nos 4 emails de follow-up. O dia do evento corre sozinho.


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Fontes

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