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Multilingue: como ter o seu site em português e inglês sem confundir o Google

Multilingue: como ter o seu site em português e inglês sem confundir o Google

Se o seu negócio fala com turistas, com clientes estrangeiros ou com mercados de exportação, mais cedo ou mais tarde surge a pergunta: "e se o site também estivesse em inglês?" Faz todo o sentido. Um hotel no Algarve, um alojamento local em Lisboa, uma marca que vende para a Europa — todos ganham com um site que fala a língua do cliente.

Mas há uma armadilha técnica. Um site multilingue mal montado confunde o Google, cria conteúdo duplicado e pode prejudicar o posicionamento que tinha em português. A boa notícia: feito bem, não só não prejudica como abre uma porta enorme. Este guia explica como.

Porquê ter o site em mais do que uma língua

  • Turismo. Quem visita Portugal pesquisa em inglês. Se o seu site só existe em português, é invisível para esse cliente.
  • Exportação e mercados externos. Vender para a Europa começa por ser compreendido na Europa.
  • Confiança. Um cliente estrangeiro confia mais num negócio que se dirige a ele na sua língua, com naturalidade.
  • Mais alcance no Google. Cada língua abre um conjunto novo de pesquisas onde pode aparecer.

Setores que beneficiam mais: hotelaria e turismo, alojamento local, imobiliário de gama alta, serviços a expatriados e qualquer marca com ambições de exportação. Para o caso específico do turismo, escrevemos Sites para hotéis e turismo em Portugal.

O problema: o Google pode achar que está a copiar-se a si mesmo

Quando tem a mesma página em duas línguas, o Google precisa de perceber que são versões da mesma coisa para públicos diferentes — e não duas páginas a competir entre si ou conteúdo duplicado.

Se não lhe disser isto de forma clara, podem acontecer coisas más: o Google mostra a versão inglesa a quem pesquisa em português, ou trata as versões como concorrentes e nenhuma se posiciona bem.

A solução tem nome: hreflang.

hreflang: a etiqueta que organiza as línguas

O hreflang é uma marcação que diz ao Google, página a página, "esta é a versão em português europeu, e ali está a versão em inglês da mesma página". Segundo a documentação do Google sobre sites multilingues, é assim que se garante que cada utilizador vê a versão certa para a sua língua e região.

Pontos-chave da implementação correta, conforme as orientações do Google sobre versões localizadas:

  • Cada página deve apontar para todas as suas versões — incluindo para si própria. A versão portuguesa lista a inglesa e a própria; a inglesa faz o mesmo.
  • Use os códigos certos. Para Portugal e português europeu, pt-PT; para inglês, en (ou uma variante regional se for relevante).
  • Endereços completos e coerentes. Cada referência aponta para o endereço exato da versão correspondente.

Isto não é algo que se "ligue num botão". É trabalho de SEO técnico, e é onde a maioria dos sites multilingues caseiros falha. Falamos do conjunto em SEO técnico: o que torna um site legível ao Google.

Como estruturar os endereços

Há várias formas de organizar as línguas nos endereços. A mais prática e recomendada para a maioria dos casos é por subpasta:

  • oseusite.pt/ → português
  • oseusite.pt/en/ → inglês

É simples de gerir, mantém toda a autoridade no mesmo domínio e é fácil de o Google rastrear. Evite truques como traduzir automaticamente sem versões reais — o Google não gosta de tradução automática de má qualidade indexada como se fosse conteúdo próprio.

Erros comuns a evitar

  • Tradução automática crua. Um site traduzido à pressa por máquina, com erros, dá pior imagem do que estar só em português. Traduza com qualidade — idealmente revisto por alguém que domina a língua.
  • Misturar línguas na mesma página. Cada página numa língua. Não meta um parágrafo em inglês no meio do português.
  • Esquecer o seletor de língua. O visitante tem de poder trocar de língua facilmente, num sítio óbvio.
  • Traduzir só metade do site. Se a página inicial está em inglês mas os serviços não, frustra o visitante. Decida o que vale a pena traduzir e faça-o por inteiro.
  • Não adaptar o conteúdo. Traduzir não é só trocar palavras. Um turista estrangeiro tem dúvidas diferentes de um cliente local — vale a pena adaptar a mensagem.

Vale sempre a pena?

Nem sempre. Se o seu negócio é 100% local e os clientes são todos portugueses, um site só em português é o mais sensato — e mais barato de manter. O multilingue compensa quando há um público estrangeiro real a quem quer chegar. Se está a pensar em vender para fora, leia também Vender para a União Europeia a partir de Portugal.


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Fontes

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