Landing page mobile-first: o checklist completo para 2026
Em 2026, em Portugal, 75-85% do tráfego de landing pages chega de telemóvel — mais em B2C, um pouco menos em B2B. O design "mobile-first" é tecnicamente lugar-comum há uma década e continua, na prática, esquecido: páginas com fontes de 13px, botões com 32px de altura, formulários de 9 campos a obrigar a abrir teclado em scroll, e LCP de 3,2s em 4G. Cada uma destas falhas custa 10-25% de conversão. Combinadas, transformam tráfego de 1€/clique em CPL de 60€.
Este é o checklist. Não é teoria. São itens binários — passas ou não passas. Aplica-os antes de ligar a campanha.
1. Velocidade — LCP <1,5s em telemóvel 4G
A métrica mãe. Se falhas aqui, o resto importa menos.
- LCP < 1,5s em telemóvel via PageSpeed Insights (campo "Mobile").
- TBT < 200ms, CLS < 0,1.
- Imagem do hero pré-carregada (
<link rel="preload" as="image" fetchpriority="high">). - Imagens em WebP/AVIF, com
srcsete dimensões corretas. - Fontes locais (não Google Fonts externos),
font-display: swap. - CSS crítico inline, resto adiado.
- Sem builders pesados (Elementor, Divi, WPBakery) — JS bundle <100 KB compressed.
- Scripts de tracking (GTM, Pixel, chat) gated por consentimento e não bloqueantes.
Como o LCP funciona em detalhe. E como a Page Experience do Google tudo isto integra.
2. Tap targets — 48x48 px de alvo mínimo
WCAG e Google Material recomendam 48x48 px como alvo mínimo de toque. Em 2026 ainda há landings com botões de 36 px que falham no polegar adulto.
- Botões com 48 px de altura mínima, padding generoso.
- Links inline em parágrafos com espaçamento entre linhas ≥ 1,5 — para não falhar no toque.
- Espaço entre tap targets ≥ 8 px — 16 px ideal.
- CTA primário ocupa pelo menos 80% da largura útil em telemóvel.
Se o teu CTA tem 200 px de largura ao centro num ecrã de 375 px, o dedo bate em vazio nas zonas mortas. Largo, alto, óbvio.
3. Tipografia — 16 px mínimo, hierarquia clara
- Corpo de texto ≥ 16 px — abaixo disto, iOS faz zoom automático em inputs (mau UX) e leitura torna-se cansativa.
- Headline 28-40 px em telemóvel — se está a 22 px, parece subheadline.
- Linha de texto ≤ 75 caracteres — em telemóvel, ~35-40 caracteres por linha.
- Espaçamento de linha (line-height) ≥ 1,5 para corpo.
- Contraste ≥ 4,5:1 texto/fundo (WCAG AA).
Tipos clássicos do erro: texto branco sobre imagem de hero sem overlay — ilegível em 50% das fotos. Solução: overlay escuro 30-50% sob o texto, ou caixa de texto com fundo opaco.
4. Hero em mobile — o que cabe num ecrã
Em telemóvel típico (iPhone 14: 390x844, com barras: ~600 px úteis):
- Headline + subheadline + CTA primário cabem sem scroll.
- Logo no canto superior (40-50 px de altura), não a ocupar 1/4 do ecrã.
- Visual abaixo ou em background com overlay — não competindo com a headline.
- Menu hamburger no canto direito ou ausente em landing dedicada.
- Sem carrossel de slides no hero — divide intenção, nunca chega ao slide 3.
Testa no iPhone SE (375x667). Passa lá, passa em tudo.
5. Sticky CTA — quando aparece
O sticky CTA é o botão fixo no fundo do ecrã que segue o scroll. Aumenta conversão em mobile em 15-30% quando bem implementado.
- Aparece quando o utilizador faz scroll abaixo do hero (não desde o início — competiria com o CTA do hero).
- Desaparece quando o utilizador chega ao formulário ou CTA final.
- Altura 56-64 px, fixo no
bottom: 0. - Botão único, mesmo texto do CTA principal.
- Acima do banner de cookies em z-index, ou esconde quando o banner aparece.
- Respeita safe-area-inset-bottom em iOS (evita ficar tapado pela home bar).
Implementação em CSS é trivial (position: fixed; bottom: 0). O cuidado está em quando aparece e desaparece — IntersectionObserver para detetar o hero e o formulário.
6. Formulários mobile — o checklist anti-fricção
Formulário em mobile é onde a maioria das landings PT morre. Cada campo a mais corta 5-10% de conversão.
- Campos verticais, um por linha — nunca dois lado a lado.
- Labels visíveis sempre — placeholder não substitui label (acessibilidade + UX).
- Tipos de input corretos —
type="email"(teclado @),type="tel"(teclado numérico),type="number"(teclado numérico),type="date"(date picker nativo). -
inputmode="numeric"para campos numéricos não-tel. -
autocompletecorreto —autocomplete="name",email,tel,street-address— usa o preenchimento automático do iOS/Android. - Validação em tempo real — mostra erro quando o utilizador sai do campo, não só ao submeter.
- Mínimo de campos — 3-5 ideal, 7 máximo.
- Botão de submit em destaque, abaixo, ocupando largura total.
- Sem CAPTCHA visível — usa invisible reCAPTCHA, Cloudflare Turnstile ou honeypot.
Mais sobre formulários que convertem, em PT.
7. Imagens — formato, peso, lazy load
- WebP/AVIF com fallback JPEG para Safari antigo (cada vez menos necessário).
- Dimensões corretas — não servir 2000 px para um slot de 400 px.
-
srcset+sizespara responsive. -
loading="lazy"em tudo abaixo da dobra. -
altdescritivo em todas as imagens informativas (acessibilidade + SEO). -
decoding="async"para imagens não críticas. - Hero image pré-carregada com
fetchpriority="high".
Páginas com 30 imagens otimizadas pesam menos que páginas com 6 imagens descontroladas.
8. Vídeo em mobile — o que muda
- Sem autoplay com som — bloqueado nativamente, hostil quando passa.
- Poster image leve (
<100 KB) que carrega antes do vídeo. -
preload="metadata"ounone— não carrega o vídeo completo até ao play. -
playsinline— para autoplay silenciado em iOS. - Legendas em PT-PT via WebVTT.
- Não é o LCP — sempre abaixo do hero.
9. Touch gestures — o que não inventar
- Sem swipe horizontal obrigatório (carrosséis) para informação crítica.
- Sem long press para ações importantes.
- Sem pinch-to-zoom desativado (
maximum-scale=1é um erro de acessibilidade). - Scroll vertical natural, sem interceções de JS que quebram o "momentum scroll".
A regra: o telemóvel já tem gestos que toda a gente conhece. Reinventas, perdes.
10. Acessibilidade em mobile — WCAG 2.1 AA mínimo
- Contraste ≥ 4,5:1 em texto, ≥ 3:1 em UI.
- Foco visível em navegação por teclado/screen reader.
-
lang="pt-PT"no<html>. - Hierarquia de headings correta (H1 único, H2-H3 sequenciais).
- Alt em todas as imagens (vazio se decorativa:
alt=""). - Sem texto em imagem para conteúdo principal.
-
<button>para ações,<a>para navegação. Não inverter com JS.
As WCAG 2.1 quickref é o catálogo completo.
11. Banner de cookies — não tapar o conteúdo
Em PT, RGPD + CNPD obrigam opt-in. Mas se o banner ocupa metade do ecrã do telemóvel no primeiro carregamento:
- Banner no fundo ou em barra estreita (≤ 80 px), não em modal.
- Opções "Aceitar / Recusar / Personalizar" com igual destaque.
- Sem dark patterns — botão "recusar" do mesmo tamanho e cor que "aceitar".
- Scroll do conteúdo permitido durante a decisão.
- Reabrir definições acessível no rodapé.
12. Performance de scripts de terceiros
Os assassinos comuns de landings PT em mobile:
| Script | Impacto típico | Solução |
|---|---|---|
| GTM (sem otimização) | +400 KB de JS | Carregar só após consentimento + defer |
| Meta Pixel | +120 KB | Após consentimento |
| Hotjar / Clarity | +250 KB | Adiar 3-5s ou só em sessões >30s |
| Chat widget (Tawk, Intercom) | +500 KB | Lazy load com botão fake |
| Google Maps embed | +300 KB | Substituir por imagem estática |
| YouTube embed | +500 KB | Substituir por preview clicável (lite embed) |
Cada script de terceiros tem de justificar o custo. Se Hotjar custa 250 ms de TBT e a equipa de marketing vê os relatórios uma vez por mês, tira.
13. Navegação interna — sem distrações em landing dedicada
Landing dedicada a uma campanha tem menu reduzido ou ausente:
- Sem menu principal com 8 links que distraem do CTA.
- Logo navega para a própria landing (não para a home).
- Links no rodapé apenas para legais (privacidade, termos, contacto).
- Sem links externos para redes sociais — vão sair e não voltam.
A diferença entre uma landing e uma home page é exatamente esta — a home tem 12 caminhos, a landing tem 1.
14. Erros que matam em mobile PT
- Pop-ups de exit-intent em mobile — não existem tecnicamente (não há mouse), são geralmente disparados por timing e irritam.
- Banners de "instala a app" sem necessidade — empurra para fora.
- Chat em pop-up ao fim de 5s com mensagem genérica — fechado, conversão perdida.
- Vídeo full-screen autoplay — bloqueia o ecrã, fechado.
- Logo enorme + tagline a comer 50% da dobra.
Se vês algum destes na tua landing, é prioridade máxima de correção.
15. Teste real em dispositivo, não em emulador
DevTools do Chrome em desktop não simula mobile real. Testa:
- iPhone SE / iPhone 13 real, 4G (não Wi-Fi).
- Android médio (Samsung A-series, Xiaomi Redmi) — performance típica do utilizador PT.
- Browser do utilizador, não browser de developer (Chrome iOS, Safari, Samsung Internet).
- Modo de poupança de bateria — alguns recursos JS são limitados.
A diferença entre "carregou bem no MacBook" e "carregou em 5,2s no Redmi Note 8" pode ser de 4 segundos.
Em resumo
Mobile-first em 2026 não é breakpoint CSS. É decidir desde o início que o ecrã principal tem 375 px de largura e o utilizador tem o polegar grosso, 4G fraco e 4 abas abertas. O checklist acima é binário: passas ou não passas. Se há 5+ falhas, a página está partida — não é "menos otimizada", está partida. Reescreve as falhas antes de gastar 1€ em anúncio.
E uma regra simples para validar tudo: pega no telemóvel, abre a tua landing em modo 4G, faz a primeira coisa que pedes ao utilizador, e mede quantos segundos demoraste. Se foram mais de 30, o utilizador comum nem chega lá. Se foram mais de 60, és tu a comprar tempo do utilizador a 60€/CPL.
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