A hero section perfeita: o que pôr nos primeiros 600 píxeis
Os primeiros 600 píxeis decidem se o visitante fica ou desliza para a próxima aba. Em telemóvel, são literalmente um único ecrã — antes do polegar fazer qualquer movimento. Se nesse ecrã não está claro o que vendes, para quem, e o próximo passo, perdeste. Não vale recuperar com prova social no fim, vídeo do fundador a meio, ou um CTA flutuante. A dobra é o ringue.
A maior parte das hero sections em PT erra por excesso: headline criativo que não diz nada ("Dá asas ao teu negócio."), subheadline com 3 buzzwords ("soluções integradas, transformação digital, ecossistema 360º"), e uma foto de stock de pessoas a apontar para um portátil. Concorrem todas pela mesma frase vazia. Quem chega ali fica 4 segundos e sai.
Os 5 elementos canónicos
Uma hero section que funciona tem cinco elementos, nesta ordem visual:
- Headline — promessa concreta, ≤ 10 palavras.
- Subheadline — clarifica para quem, com o quê, em quanto tempo.
- Visual — render, screenshot, fotografia real ou ilustração. Não decorativo.
- CTA primário — botão único, infinitivo de ação.
- Micro-prova — 1 linha de prova social (logos, número, selo) — não obrigatória, mas frequente.
Mais do que isto = ruído. Menos = vendes mal. Não há "hero minimalista zen" com 3 palavras a 80px — vende uma vez em mil, e essa vez é um designer a aplaudir, não um comprador.
1. Headline — diz o resultado, não o produto
A headline canónica responde à pergunta: "O que ganho eu se ficar nesta página?" Não "o que vendem". Não "quem são". Resultado.
| Headline ruim | Headline bom |
|---|---|
| "Soluções digitais à medida" | "Site novo em 4 semanas, pronto para o Google" |
| "Bem-vindo à nossa agência" | "Cortes 300€/mês de Meta Ads sem perder leads" |
| "A tua presença digital, elevada" | "Reservas online no teu site, sem comissão para a Booking" |
| "Inovação para o teu negócio" | "Loja online entregue em 6 semanas, código teu" |
Regra prática: se a tua headline também serve para o concorrente que está ao lado, não diz nada. Se a podes dizer ao espelho sem corar, podes pôr na página.
Mais sobre o título de landing page com exemplos por setor.
2. Subheadline — quem, o quê, prazo (≤ 25 palavras)
Uma frase que:
- Identifica o público — "Para PME portuguesas com loja física que querem vender online."
- Diz o produto/serviço concreto — "Site WordPress com checkout integrado."
- Quantifica o prazo, preço ou resultado — "Pronto em 6 semanas, desde 1.500€."
A subheadline sela o que a headline promete. Headline "Site novo em 4 semanas" + subheadline "para restaurantes em Portugal que querem reservas pelo Google, sem depender da TheFork" = leitor reconhece-se em 5 segundos.
Sem "Bem-vindo a…", sem "Acreditamos que…", sem "Há mais de 10 anos…". Verbos de utilizador.
3. Visual — não decorativo, mostra o produto
O visual é a peça mais difícil — e a mais maltratada. Princípios:
- Mostra o produto, não pessoas a sorrir. Screenshot do produto, render do imóvel, foto do tour, mockup do site.
- Fotografia real vence stock por uma ordem de grandeza. Stock anuncia "agência genérica".
- Render 3D ou ilustração funciona em SaaS e produtos abstratos. Em serviços concretos (restaurante, hotel, oficina), foto real.
- Otimizado — WebP/AVIF, dimensões corretas, <200 KB. O LCP da página é quase sempre a imagem do hero — se ela demora 2,3s, o LCP é 2,3s. Como o LCP funciona, no detalhe.
- Sem vídeo em autoplay. Quebra a velocidade, é mau para acessibilidade, e raramente é assistido. Vídeo abaixo da dobra, com play manual.
Variante aceitável: ilustração SVG inline, leve, com cor de marca — funciona em landing de SaaS, infoproduto, formação.
4. CTA primário — único, infinitivo de ação
Um botão. Não três. Não dois lado a lado. Um.
- Verbo + benefício — "Pedir orçamento", "Reservar agora", "Comprar acesso", "Receber dossier".
- Cor que destaca — não cor de marca discreta. Verde, laranja, magenta — algo que explode contra o resto.
- Tamanho mínimo no telemóvel: 48px de altura, dedo do polegar adulto.
- Texto curto — 2-4 palavras. "Pedir orçamento" > "Solicite a sua proposta sem compromisso".
CTA secundário (opcional) — link discreto, abaixo do botão: "Ver preços primeiro" / "Ver caso real". Nunca compete pela mesma cor. Detalhe completo do botão acima da dobra.
5. Micro-prova — 1 linha, opcional mas eficaz
Logo abaixo do CTA ou ao lado, uma linha curta de prova social:
- "Construímos sites desde 2020. Stack rápida, sem builders pesados."
- "120+ tours realizados em 2025. Empresa RNAAT n.º 8901."
- "Lighthouse 95+ no nosso próprio site — verifica."
Sem inventar. Sem "★ 4.9 de 1.200 clientes". Se não tens, não pões. Honestidade é a prova social que ninguém usa em PT — diferencia.
Acima da dobra ≠ acima de 600 píxeis em desktop
Em 2026, "acima da dobra" significa o primeiro ecrã do telemóvel. Em telemóveis comuns (iPhone 14, Galaxy S24), são ~700-900 píxeis verticais, com o status bar + a barra do browser a comer. Tens cerca de 600 píxeis úteis.
Se o teu hero precisa de scroll horizontal ou de "rolar um pouco para ver", está partido. Testa em iPhone SE (375x667) — se passa aí, passa em tudo.
Velocidade: o hero é o LCP
O LCP (Largest Contentful Paint) da página é, em 99% dos casos, a imagem ou o título do hero. Alvo: LCP < 1,5s no telemóvel em 4G. Como chegar lá:
- Imagem do hero pré-carregada (
<link rel="preload" as="image">). - Fontes do título locais, com
font-display: swap. - Sem scripts bloqueantes antes do hero (GTM, Pixel, chat) — todos defer ou gated.
- Sem CSS de above-the-fold em CSS externo a carregar — crítico inline.
A Page Experience do Google e os Core Web Vitals decidem-se aqui.
Cookies e hero: o erro que tapa o CTA
O banner de cookies em Portugal é obrigatório por RGPD e orientação da CNPD: opt-in explícito, não pré-aceite. Mas se o banner tapa a hero section completa no primeiro carregamento, mataste a conversão de 30% dos utilizadores que fecham sem ler.
Solução: banner na parte inferior, não no topo. Não bloqueia o conteúdo. Aceitar/recusar com igual destaque. O scroll do utilizador continua disponível durante a decisão.
A/B test do hero — onde começar
Se vais testar variantes, prioridade:
- Headline — maior impacto isolado em 80% dos casos.
- CTA (texto e cor) — segundo maior impacto.
- Visual — terceiro. Mudar foto pode mover 5-15% de conversão.
- Subheadline — quarto. Refina, não revoluciona.
- Ordem de elementos — quinto. Só mudas se há dados que sugerem.
Não testas 4 variantes ao mesmo tempo com 200 visitantes/dia. Lê como configurar um A/B test em landing primeiro.
Erros frequentes que matam o hero em PT
- Carrossel de slides — divide intenção, ninguém vê o slide 3, peso pesado. Banido.
- Vídeo institucional em autoplay com som — corta-se em 3 segundos com um swipe.
- Headline em maiúsculas — perde 13% de legibilidade.
- Headline em 3 idiomas no mesmo bloco — desorienta. Cria URLs separadas.
- Logo da empresa enorme + nome da empresa em H1 — o teu nome não vende. O resultado vende.
- "Bem-vindo ao nosso website." — caracter ofensivo.
- CTA "Saber mais" — pior CTA de Portugal. Diz o que ganhas no clique.
Hero por tipo de landing: nuances
- Tráfego de Meta Ads — hero tem de espelhar a criatividade do anúncio. Mesmo visual, mesma headline. Coerência de scent.
- Tráfego de Google Ads (search) — hero tem de incluir a keyword pesquisada. Quem pesquisou "loja online algarve" tem de ver "loja online" no hero.
- Tráfego orgânico SEO — hero pode ser mais descritivo, menos transacional. O leitor chegou por intenção informacional.
- Tráfego de email — hero pode ser mais direto, partir do meio da conversa. "O orçamento que pediste."
Em resumo
A hero section perfeita em 2026 cabe num ecrã de telemóvel, responde em 5 segundos a "o que ganho", tem headline concreta, subheadline que qualifica, visual do produto real, um CTA único e (opcional) uma linha de prova honesta. Carrega abaixo de 1,5s, não é tapada pelo banner de cookies, e bate certo com o anúncio que trouxe o visitante até lá. Tudo o que sobra é decoração — e decoração custa segundos.
Se queres fazer o teste, abre a tua landing no telemóvel, conta até cinco em voz alta, e pede a alguém ao lado para te dizer o que vendes. Se não consegue, escreveste decoração. Recomeça pelo resultado.
No sitesfixe.pt desenhamos hero sections que carregam abaixo de 1,5s e dizem em 5 segundos o que vendes. Landing pages desde 400€. Sites institucionais desde 1.500€. Pedir orçamento sem compromisso.
Lê também:
- O título da landing page: como escrever uma headline que vende
- O botão de ação acima da dobra: cor, copy, posição
- Anatomia da landing page que converte
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